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FUNDADO
EM 14 DE OUTUBRO DE 1988
FILIADO A
500 anos de resistência
A escravidão negra durou mais de 300 anos no Brasil - um dos últimos paises a do mundo a decretar sua abolição. As condições de vida dos escravos era deplorável, pois além das jornadas de trabalho de até 18horas por dia , sofriam todo tipo de humilhações, com constantes castigos, má alimentação, vestuário precário e alojamento promiscuo. Esta situação levava a que a vida média de um escravo não excedesse aos 15 anos. Já no transporte da África , mais da metade dos escravos morriam nos porões dos navios. Um dos mais danosos mitos da escravidão brasileira era o de que ela foi "amena". Para Clovis Moura " a escravidão no Brasil não teve nada de benigna, democrática ou cristã. Milhões de pessoas foram transportadas à força de suas terras de origem no continente africano, colocados em tumbeiras e levados depois a mercados, para serem vendidos como mercadorias. Depois eram conduzidos para trabalharem nos engenhos do Nordeste,nas lavras de Minas Gerais, nos algodoais do Maranhão e nas fazendas dos Estados do Rio e São Paulo.
Durante todo o tempo que perdurou o regime servil, não foram pacíficas nem ordeiras as relações entre os senhores escravocratas e a população negra oprimida, que desenvolveu inúmeras formas de resistência e luta, tanto na cidade quanto nos campos. A liberdade era um sonho constante na cabeça dos homens e mulheres privados do direito de determinar o seu destino. Muitas reações individuais desesperadas e violentas ocorreram ao longo dos anos,tais como: fuga das fazendas, assassinato de feitores e de famílias inteiras de fazendeiros.
As reações coletivas são as que mais se destacaram na repulsa à escravidão no Brasil. E os escravos lutaram durante todo tempo que existiu a escravidão com os quilombos insurreições, guerrilhas, insurreições urbanas, etc. Dentre as rebeliões negras, uma das mais importantes foi a Revolta de Búzios (1978) que envolveu escravos e libertos e se destacou por defender um programa que incluía a abolição da escravatura. Onde houve escravidão, houve resistência.
Dentre as maiores expressões desse movimento rebelde, destaca-se a formação de Quilombos (povoações) que se constituíram em verdadeiros símbolos da luta negra pela liberdade e se espalharam por todo o Brasil. Os quilombos naturalmente constituíram-se num pólo aglutinador de outros seguimentos explorados da sociedade como Índios, brancos, pobres etc.
Palmares foi o mais celebre de todos os quilombos. Foi criado no final do século XVI por um grupo de escravos fugitivos numa das áreas mais férteis do Nordeste Brasil. Com o passar dos anos, o quilombo cresceu de forma extraordinária, chegando a ocupar uma área semelhante a de Portugal e ameaçando consolidar-se como República Negra, com um população estimada entre 30 e 50 mil pessoas. Foi uma das primeiras e seguramente a maior e mais duradoura de todas as revoltas escravas no Brasil.
Durante 100 anos, os palmarinos resistiram a inúmeras expedições militares organizadas pelos portugueses e holandeses, utilizando amplamente, táticas de guerrilhas. Por fim, em fevereiro de 1694, uma poderosa investida de 9 mil soldados conseguiu destruir o Quilombo dos Palmares. Zumbi, o último grande líder palmarino consegue escapar e, com um reduzido grupo de remanescentes mantém a resistência. Perseguido durante 20 meses, é assassinado em 20 de novembro de 1695. Sua cabeça é cortada e exposta em lugar público de Recife, velha prática das elites para com os líderes populares: Manoel Faustino, Lucas Dantas, Luiz Gonzaga e João de Deus (Búzios), Antônio Conselheiro (Canudos), Tiradentes (Inconfidência Mineira) e Osvaldo Orlando da Costa (Guerrilha do Araguaia).
A importância de Palmares, mais que guerreira, advém do seu reconhecimento como símbolo de resistência e superação de um povo que, durante quase quatro séculos, não se curvou perante forças tão poderosas.
A sociedade brasileira é organizada com base em uma mítica democracia racial, que tem como pressuposto a supremacia branca exercida do topo da hierarquia social.É isso o que explica o fato de que os negros e as negras, mais de um século depois da propalada abolição, continuarem vivendo em sua grande maioria, na deplorável condição que lhe reserva a estrutura política e econômica deste país. A discriminação racial perdura até hoje a despeito da ação cada vez mais ofensiva dos Movimentos Negros, do movimento de retomada das terras de quilombos e do crescimento da consciência dos afro-brasileiros sobre a violência do racismo no Brasil e da necessidade de continuar a luta por liberdade e respeito à diferença.
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